20 de Maio de 2008

A lua tem um aspecto hostil e longínquo esta noite. Uma lua cheia que parece querer ofuscar, ameaçando cair a qualquer momento. A ausência de nuvens e estrelas e vento transmite-me uma certa calma assustadora que me impede de adormecer. Parece que a existência toda ela se encontra parada no exacto segundo entre o encher os pulmões de ar e o mergulhar no oceano. Aquela fracção de segundo em que as duas acções colidem. Algo está para acontecer. Sinto-o. E esta insónia atormenta a minha calma. Resolvo sair de casa e dar uma volta. Mas mesmo isso se torna numa realidade falhada porque, assim que saio de casa, sento-me no banco de jardim em frente ao prédio. Aquele banco de verde lascado, onde muitos se sentaram e questionaram... ou não. O cheiro do relvado acabado de cortar embate-me como ondas tsunami. E, no exacto segundo em que sou extinto pelas ondas, uma frase escorrega-me à mente. Algo de tão fugidio e efémero que seria impossível pensar nisso noutra altura.

O mundo é belo. Uma simples frase que poderia ter sido usada em qualquer altura. Algo que foi certamente dito por todas as pessoas no mundo numa qualquer altura das suas vidas. Mas uma frase que trás consigo um sentimento tão envolvente que deixa rasto, fica e explode por dentro. O mundo é belo, de muitas formas incomensuráveis. Mas, na nossa pressa, escapa-nos frequentemente aquilo que de belo existe em redor. Talvez da mesma forma que, muitas vezes, nos esquecemos do significado que queremos dar às nossas vidas. Neste mundo moderno, para sobreviver, muitas vezes desprendemo-nos relutantemente do estímulo constante da beleza que o mundo tem. Muitos preferem um desprendimento indiferente face ao estímulo constante. Chegamos ao ponto de olhar para a beleza com indiferença, como se fosse mais uma coisa da qual já nos fartámos. Mas o mundo é belo. Desde algo simples como uma gota numa teia de aranha a coisas complexas como pontes enferrujadas de tempo. Um relvado plano a uma paisagem plana e gigantesca que nos faz sentir como grãos de pó. Desde o mesmo grão de pó até às galáxias tão longe que nenhuma mente consegue conceber o caminho todo necessário a percorrer até lá chegar. E uma lua de aspecto hostil e longínquo. Uma lua que parece querer ofuscar, ameaçando cair a qualquer momento. Do banco deste jardim, lascado de verde, rangendo de tempo e memórias, tudo parece que parou no tempo. Como se a própria existência estivesse a fazer uma pausa para retomar de novo. E lembrei-me do significado que queria dar à minha vida. E planeei para ser surpreendido.
publicado por Arms às 21:17
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Não quebres!

Beijos da limoa
Limoa a 21 de Maio de 2008 às 22:19
Gostei muito deste texto. Escreves muito bem.Abraço migo
TheImpossiblePrince a 23 de Maio de 2008 às 09:28
:)

Hei-de voltar...
sp a 24 de Maio de 2008 às 21:19
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