02 de Novembro de 2007

Estou aqui, neste sofá antigo. Daqueles sofás típicos das avós que nos tinha sido cedido, já não me lembro por quem, e que descansa neste canto do quarto, recostado à parede. Tudo neste quarto tem o peso da idade, de memórias, de vida. Mas não é nisso que reparo. Nem na quantidade de pequenos objectos aparentemente inúteis que temos sobre os variados móveis. Não. Hoje reparo em ti. Na verdade nem sei porquê. Estava aqui a ler, completamente distraído. Mas esta luz dourada, de fim de tarde de Outono, despertou-me. Acho até que esta é realmente a primeira vez em que reparo realmente em ti. Aí deitado a dormir na nossa cama, completamente ausente do mundo. Num mundo só teu, onde nem eu tenho como entrar. E vejo como a luz dourada, que espreita pelas frestas das persianas, salpica a tua pele. Reparo nos contornos da tua pele e como os teus pêlos brilham, beijados por esta luz. Claro que me saltam em mente pensamentos menos impróprios. E até me atrevo a escrever que me sinto excitado com a tua pele banhada a ouro. Percorro os contornos da tua silhueta e perco-me nos sinais do teu corpo, nas formas dos teus músculos e mergulho-me no som calmamente repetido do teu respirar. Sorriste. Um sorriso tímido, mas sorriste. Sonhas com algo de certeza. Estou aqui, completamente hipnotizado pela tua beleza e estranhamente desconfortável por estar a invadir a tua privacidade, embora saiba que nunca te importarias de saber que te olho e admiro enquanto dormes. Mas sabe-me estranhamente bem, invadir assim esse teu momento de intimidade contigo mesmo. E continuo a percorrer o teu corpo, guiado pelas pequenas manchas de luz dourada. Percorro as tuas costas, escorrego pela tua coluna e embato nas tuas ancas. E nesse sinal que tens na anca. Fico horas a decorar cada milímetro do teu corpo enquanto o sol percorre o mundo e a sua luz dourada deixa de salpicar o teu corpo. Mas são nas tuas ancas onde me perco, no teu sorriso onde morro. Acordas e olhas para mim. Sorris. Sim, confesso. São nos teus olhos onde eu renasço. Definitivamente. Mas, sem sombras de dúvida, são nos teus beijos onde me extingo! E, dentro desta piscina de luz dourada de Outono, levantas-te, aproximas-te e me extingues. Repetidamente.

(mais um pequeno texto, ou esboço de algo maior... momento de inspiração)
publicado por Arms às 16:23
tags:
É engraçado, comigo a coisa também é semelhante. Quando nutro simpatia por alguém, adoro ver tudo daquela pessoa, todos os pormenores como fala, ri, respira, etc. E às vezes deixa me pensativo a pontos de tentar imaginar de como será quando dorme. Em tempos idos, quando tinha essa oportunidade, adorava ver o meu ex- a dormir. É que o sono é um momento tão bonito numa pessoa, não é?
Bom, há aquelas pessoas que dormem de uma forma muito estranha e de boca toda aberta nos transportes públicos, essas dispenso, mas também como não as conheço, não me interessa muito vê-las a fazer aquelas figuras.
TheTalesMaker a 3 de Novembro de 2007 às 01:36
Muito bonito.
Graduated Fool a 3 de Novembro de 2007 às 14:29
mais sobre mim
Prémios
Image Hosted by ImageShack.us
By Eu... Gay... e o meu Mundo
By Etnias

Image Hosted by ImageShack.us
By Etnias

Image Hosted by ImageShack.us
By Felizes Juntos (2009).
quote: o traço bonito e elegante reflectido no ímpeto neutralizado dos dias
By Felizes Juntos (2008)
quote: bom gosto e traço bonito e elegante.


últ. comentários
Olha eu estou exatamente igual.. Não me conseguiri...
Olá Arms!Há quanto tempo! Não tenho acompanhado es...
aqui ha dias vi te a subir a rua do sol ao rato.j...
Bem fixe isto. Nos extremos há coisas que nem sabe...
se estiver interessado/a num novo template para o ...
Sim, concordo.Mas acima de tudo, mais intervenção ...
Silêncio a mais... nessas viagens todas não há int...
Bom regresso à blogosfera
Concordo com o que dizes, tambem sou solteiro e as...
Parabéns pelo seu blog, muito interessante. Estou ...
blogs SAPO
Novembro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
14
16
26
pesquisar neste blog