15 de Janeiro de 2009

Estava aqui deitado, sobre a cama, esmagado pela gravidade da minha preguiça, viajando entre pensamentos de coisas que me tinham acontecido quando aconteceu. Um vulto surgiu por entre lembranças como que de um fantasma. Um pensamento solto que caiu no chão. Como se eu tivesse aberto um livro que não mexia há muito tempo e um bocado de papel rasgado se tivesse soltado. Um papel que em nada tinha a ver com o livro. Um papel velho, amarrotado e amarelo. Um pensamentos desse género: amarrotado, a mostrar a sua antiguidade.
E lembrei-me.
Lembrei-me de que te tinha esquecido. Que já nem me lembro da tua cara, das curvas do teu rosto. Já nem consigo descortinar a cor dos teus olhos mesmo que me esforce.
Que não passas de um vulto que caiu de um livro que nada tinha a ver contigo.
E foi aí, quando tentava recordar aquilo que pensava que significavas para mim que me apercebi. Tudo o que és é um papel amarrotado de algo que foi escrito em tempos e que guardei algures por entre livros e lá ficaste, esquecido. Ou antes, não lembrado.
E sorri porque vi que, mesmo tendo este papel insignificante na mão, não o consigo deitar fora porque este papel ajudou a tornar-me no que sou hoje. Mesmo que fosse pouco ou quase nada. E quase nada já é muito para um papel amarrotado. Sorri porque hoje lembrei-me de que te tinha esquecido. Que nada és que um vulto numa memória de um papel esquecido num livro que nada tem a ver.
Pode ser que me cruze com o resto do papel amarrotado. Pode ser que não.
Pode ser que encontre o livro a que o papel pertence. Pode ser que não. Já não é importante.
O que importa é que o papel, tu, já não me afectas como eu pensava que me afectavas até hoje. O que importa é que o papel estava ali esquecido algures por entre as folhas deste livro e que as palavras que lá estão escritas - com aquela tua letra de menina - são nada para além de riscos a caneta que significavam algo há algum tempo e que nada são para além de lembranças de algo que existiu e que deixou de ser.
Palavras sentidas que deixaram de o ser para serem simplesmente palavras.
publicado por Arms às 03:29
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Eu, infelizmente, tenho muita dificuldade em esquecer.
Graduated Fool a 19 de Janeiro de 2009 às 12:05
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