14 de Janeiro de 2008




Como prometido durante o jantar. Tom Cavalcante de doméstica. Partes 1 e 2!
publicado por Arms às 23:31
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(Mais um esboço de algo que mais tarde se assemelhará a um conto...)

Sentado no banco de jardim olhando para as nuvens densas deslizarem para um canto do céu, provavelmente para um lugar onde nunca poderá ir ou estar - como este lugar. E a vida a escorrerem-se-lhe pelo rosto. As memórias. As lembranças que anseia esquecer, que anseia largar. Os sons dos seus risos e das suas palavras. Os cheiros da sua pele e do seu suor. Os sabores dos seus lábios. Mas, mais que tudo o resto, a textura e a temperatura da sua pele ainda tatuados nele. E chorou os seus desejos, soluçando por entre cada pensamento do que lhe havia sido feito. Não deviam de ter feito tudo para que terminasse assim. Não deviam de ter dito as palavras que o magoavam daquela forma. Não o deviam de ter afastado. E a chuva caindo copiosa sobre os seus ombros encolhidos. As memórias, caindo, uns atrás dos outros, a conta gotas sobre o chão lamacento da sua alma. Sentia-se apertado, como se a sua pele tivesse encolhido e tudo lhe prendia. Sentia-se dorido, como se lhe tivessem batido, espancado, com bastões. A sua garganta estava arranhada, como se ele tivesse engolido papel de areia ou lixa. Os seus olhos doiam-lhe como se lhe tivessem enfiado agulhas. Mas a sua alma estava rasgada, esfarrapada, como se a tivessem arrastado pelo chão durante quilómetros. Chovia compulsivamente e ele chorava torrencialmente. Como se ele e o mundo tivessem ambos sido destruídos por dentro. A chuva... Sempre a mesma chuva. E ele ali, com aquele sentimento de perda. Sempre o mesmo sentimento. E perdeu tanto tantas vezes. Mais do que quereria admitir. Para ele a vida era uma sucessão de decisões erradas e azares triunfantes. Mas ele tinha sempre a chuva... Só e apenas a chuva o confortava. Sempre.

Levantou-se lentamente, como se o corpo se cansasse da sua própria existência, e tentou secar as suas lágrimas. Os seus olhos estavam tão vermelhos e com a sensação de que tinham inchado. O seu nariz, dorido, parecia-lhe cair a qualquer momento. A dor já lhe havia passado ligeiramente com o amainar da chuva. E, debaixo da mesma chuva de sempre, foi para casa. Como sempre.
publicado por Arms às 02:40
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Quinhentos! Sim, quinhentos fantásticos e totalmente novos GigaBytes por ocupar com trabalhos (alguns até curriculares), documentos (maioritariamente inúteis) , músicas (não se pode viver sem música), filmes (alguns duvidosos, outros não) e coisas aparentemente importantes para manter a minha sanidade mental à tona da água, num fabuloso novo disco externo! É que deu-me mesmo uma coisa má! Muito má...

Ah, o consumismo! O que seria eu sem ele?!

E o meu disco novo ronrona que é um mimo! Vou finalmente conseguir libertar o espaço nos discos do meu pc! Agora é só programas no pc... É ver a velocidade do pc a melhor, que esta porra anda tão lenta que computadores dos anos oitenta me parecem mais rápidas!! <- exagero!
publicado por Arms às 01:33

Hoje tive uma conversa com um amigo meu. Mas uma daquelas conversas de quilómetro e meio, onde expomos todas as nossas opiniões e acabamos por até dizer coisas que nunca tínhamos questionado antes e que até é capaz de ter lógica. Falámos de relações e atitudes (condenáveis, suportáveis e outras) das pessoas e, no fim da longa conversa (note-se que durou desde as sete até quase às onze da noite), passámos para o que motiva as pessoas a agirem como agem.

Eu, pessoalmente, acho que, maior parte das vezes, as pessoas agem como agem porque não sabem estar a sós com elas mesmas. Porque isso implica começar a lidar com coisas pelas quais não estão preparadas. Ou seja, a sua psique e quaisquer aspectos negativos e positivos das suas personalidades. É mais fácil lidar sempre com as personalidades dos outros porque muitas vezes não teremos que aturar certas coisas que, em nós, não poderemos evitar. Talvez muita gente salta de relação em relação, ou têm encontros casuais com resmas de outras pessoas porque não sabem como lidar com elas mesmas. Ou não sabem ou não querem. Talvez por medo de descobrirem que até não são como se pintam. A auto-negação e a auto-ilusão são coisas poderosas para nós mesmos. Muitos criam máscaras tão perfeitas que se enganam a si mesmos a pontos inimagináveis. Outros negam com tal perfeição que acabam por nem darem conta de que o fazem.

A conversa desenvolveu-se para o porque é que algumas pessoas não conseguem arranjar alguém e ninguém (aparentemente) se interessam por eles. É evidente que existem muitos factores envolvidos, isso nem se questiona. Acontece tanto neste caso como no caso acima citado. Mas, aqui estamos a divagar relativamente à motivação e personalidade, etc. Em relação a isso falámos que o que poderá estar envolvido nisto é o facto de a pessoa estar sozinha pelo simples facto de saber lidar com ela mesma, saber quem é e o espaço que ocupa no mundo e na sociedade. Quando isso acontece, muita gente pensa que a pessoa se torna inatingível. Que, de certa forma, eles nunca terão hipótese. E, mesmo que haja atracção por parte dessa gente em relação à pessoa em si, o simples facto de não dizerem nada (por acharem essa pessoa inatingível) elimina quaisquer hipóteses de se vir a descobrir o contrário, tendo em conta que a pessoa tenha interesse.

Não sei se tem lógica, nem sei se faz sentido. Mas que a conversa foi muito boa e me fez pensar bastante na minha actual situação (havendo, como é óbvio, diferenças), lá isso foi e lá isso fez. E, de uma forma bastante peculiar, fez-me até sentir bem com o facto de estar sozinho e de saber, de uma forma geral, aquilo que me motiva (ou não).
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