29 de Outubro de 2009

Toda a gente anda à procura. De alguma coisa. De alguém. Toda a gente. O que torna tudo interessante, no entanto, é saber onde as pessoas se encontram a elas mesmas.

 

Eu tenho tendência em encontrar-me nos espaços intermédios. Acho que me encontrei uma vez naquele momento em que estamos prestes a acordar. Naquele momento em que não tens a certeza o que é real e o que não é. No entanto há uma falha gravíssima... a pior parte é que tens que acordar sempre.

 

É aquele sentimento de que a vida simplesmente está a acontecer, a ti. Como se não fizesses realmente parte do que está realmente a acontecer. Estamos constantemente a sonhar realidades alternativas para nós mesmos mas, o que acontece quando a realidade parece mais com um sonho do que qualquer outra coisa? Vês-te a ti mesmo a viver e é como se estivesses impotente. Não consegues fazer nada para mudá-la. E, mesmo sabendo que não estás só neste sentimento, não serve de consolo absolutamente nenhum. Facto é... não sabe bem sonambular pela vida fora.

 

E há alturas em que olhas para ti e pensas seguir em frente. E tomas o passo e as coisas acontecem. Acontecem simplesmente para que tudo volte exactamente ao mesmo sítio onde estás. Nesse sentimento de sonambolismo... 

 

Todas as pessoas procuram alguém que os acorde. Todas as pessoas procuram algo que as fazem viver. E eu ainda tenho tendência em encontrar-me nos espaços intermédios... ainda tenho ataques de sonambolismo.

publicado por Arms às 18:11
26 de Outubro de 2009

Quase todos os meus amigos queixam-se que, quando me sinto sozinho, desapareço. Não é de forma prepositada, simplesmente desvio a minha atenção para o trabalho e acabo por me isolar um bocado. É claro que o único resultado é eu sentir-me ainda mais sozinho mas é temporário. Sou como o herpes: volto sempre!

publicado por Arms às 22:25

 - Quer que ponha?

 - Já agora...

...

- Está com dificuldades?

- Uma bocado. Só preciso de alargar um pouco a ponta.

- É?

- Sim, para deslizar melhor.

- Ah, ok.

- Pronto, já consegui pôr.

- Ah. Obrigado!

 

(Ah... As conversas que se tem com clientes enquanto faço encadernações com baguetes. O problema é que é complicado não me sentir um bocado slutty depois.)

 

(Note-se que só agora, horas depois, é que me apercebi que uma baguete não tem ponta. Tem borda. Mas, como dizia a Teresa Guilherme, isso não interessa nada!)

publicado por Arms às 21:12
24 de Outubro de 2009

 Isto de se andar sem inspiração para escrever, desenhar e ler anda-me a deprimir um bocado. Ando há tanto tempo à espera que me venha algum brainstorming mas a única coisa que me aparece é uma letargia mental.

 

O meu cérebro anda-me a preparar alguma... I can feel it!

publicado por Arms às 00:05
20 de Outubro de 2009

Há pessoas que têm nomes tão convenientes que até parece que foram escolhidos a dedo. Especialmente quando conheces um pugilista chamado João Murraças e um karateca chamado Jorge Canelas. É que estas coisas, nem inventado.

publicado por Arms às 21:20
18 de Outubro de 2009

E m conversa com uma colega...

 

Espanquem-me à porrada para ver se as dores de dentes se acalmam. Mas espanquem-me com jeitinho, que sou sensível à dor!

 

 

publicado por Arms às 00:43
16 de Outubro de 2009

 Quando se trata de dor de dentes, acreditem... 20 segundos é demasiado tempo para aguentar!!

publicado por Arms às 19:18
09 de Outubro de 2009

Pergunto-me... Se eu estivesse a andar na rua e tu simplesmente, por acaso, passasses por mim, o quanto de mim verias? Quantas coisas de mim adivinharias? Farias histórias elaboradas na tua mente sobre para onde eu iria ou onde já estive? Especularias sobre se eu teria uma família com quem ter em casa? Uma carreira para seguir? Ou uma especialização por terminar? Ou eu seria meramente mais um daqueles incontáveis rostos que passam por ti e de quem não te recordas? 


Eu penso sobre estas coisas ao ponto de criar as minhas próprias histórias. Os meus olhos a percorrer as multidões, seleccionando pessoas e criando-lhes histórias e motivações. Dando-lhes personalidades e interacções. É a natureza humana, penso... fazer julgamentos com base daquilo que vemos. Não necessariamente julgamentos negativos, mas como um exercício mental. Bom, pelo menos no meu caso. Por isso, se imagino estas coisas acerca dos outros, que imaginarão eles de mim? Talvez algo mais interessante que a realidade. Talvez não.


Talvez imaginas-me como um rapaz banal, no início dos seus vinte. Ainda inexperiente na vida, terminando um curso ou tirando já uma especialização. Talvez imaginas-me morando com os meus pais ainda, saudável e confiante. Por aquilo que sinto hoje. Provavelmente imaginas que tenho como passatempo a escrita, já que me vês a escrever, com um desejo secreto de me tornar num escritor. Ou poeta. Claro que, se imaginas isso, imaginas que sou sensível, expressivo, que articulo bem as palavras e que tenho opiniões e pontos de vista bem vincados. Talvez imaginas-me um solitário. Ou talvez imaginas-me com uma namorada. Ou talvez não. 


Sou um rapaz de uma altura média, a um passo dos trinta, com feições que facilmente se perderiam na multidão. As minhas roupas são, grande parte das vezes, incrivelmente banais - as típicas T-Shirts e calças de ganga que se encontram em quaisquer lojas do país. Nada na minha cara salta à vista. Tenho olhos castanhos e cabelos castanhos, com o corte mais banal que existe. As minhas feições são mais vincadas aqui e mais suaves ali e nada se sobrepõe a nada. Sou magro o que provavelmente será o traço mais imediato do meu corpo. Não tenho muitos traços vincadamente masculinos, tenho curvas mas não são femininos. Nota-se bem que sou um rapaz. Para mim eu estou bem.


Talvez imaginas-me como um rapaz solitário, tímido, calado e reservado, pela forma como geralmente me encolho e ignoro o mundo à minha volta. Ou talvez imaginas-me como uma pessoa concentrada, versátil, ponderado e dedicado pela mesma razão. Talvez imaginas-me como um rapaz arrogante, egocêntrico e narcisista porque continuo a ignorar todos à minha volta e, quando olhei para ti, não respondi ao teu sorriso tímido.


Sou simpático, atencioso e carinhoso. Gosto de pensar que sou. Também sou distraído e despistado. Tenho um baixo nível de interesse mas um alto nível de concentração. Falo muito com as mãos e, à primeira vista, sou visto como sendo "uma eterna criança". Tenho uma curiosidade muitas vezes saudável e pontos de vista bastante incomuns. Mas sou rabugento e não tenho muita paciência (apesar de demonstrar muitas vezes precisamente o contrário). Falo sem preconceitos de todos os temas, incluindo os temas que me são mais pessoais. Não tenho tendência para me chatear muito. Sei ouvir e sei dar conforto. Mas, quando as coisas não me interessam muito, faço ouvidos moucos e não dou importância ao que me contam. Não tenho paciência para sentimentos de posse em relação a outras pessoas (excepto às que me são muito próximas) e não tenho tendência para ciúmes. Mas tenho os meus dias. Tenho vertigens e sofro de claustrofobia a partir de um certo nível. Tenho pavores à morte e não gosto de lamechices. Não sou bom a confortar pessoas que estão constantemente a lamentar a sua vida, apesar de eu lamentar imenso a minha. Coisa que até acho bastante irónico em mim.


Por alguma razão, eu seria colocado imediatamente no grupo dos rapazes certinhos aos olhos do mundo, isto apesar de eu acreditar que se deve tratar as pessoas como elas nos tratam e, se alguém me pisa, eu piso de volta. Sem sentimentalismos ou arrependimentos. 


Talvez imaginas que a minha vida tem sido fácil e que os meus pais são dedicados e atenciosos. Que me ajudam no curso que imaginas que estou a tirar e que nunca tive grandes sustos na vida. Provavelmente até achas que sou um betinho qualquer pela forma como estou vestido e penteado e que devo ter um carro e tudo e mais alguma coisa.


O que tenho - que não é muito, confesso - foi fruto de muita luta e esforço. Os meus pais são divorciados, o meu pai não fala comigo, nem sequer quer saber se estou vivo. Mas isso já não me incomoda. A minha mãe apoia-me incondicionalmente apesar de ter imensos receios e hesitações quando fala comigo. Já estive sem casa. Já estive sem emprego. Não tenho curso completo e já passei fome. Mas não me considero azarado nem pessimista. Tenho orgulho em ser quem sou, sem exageros. Um orgulho suficiente para erguer o queixo e seguir em frente. Tenho sonhos e tenho desejos e, mesmo com todos os obstáculos e rejeições, não gosto de estar parado. Não tenho objectivos de ser rico ou famoso. Procuro simplesmente viver confortavelmente.


Finalmente, e provavelmente aquilo que deve estar a passar mais pela tua cabeça, talvez imaginas que eu tenho uma namorada. Ou que sou solteiro porque não tenho anel. Mas, pelo facto de não ter respondido ao teu sorriso, talvez penses mesmo que tenho uma namorada. 


Não namoro. Não é coisa que esteja nos meus planos imediatos. Quero namorar um dia, tenho esse desejo. Mas a minha companhia, nesta altura da minha vida, basta-me. Mas o que te vai abalar o dia não é o facto de eu ser solteiro mas o facto de eu não estar interessado em ti... ou em quaisquer membro do teu género para todos os efeitos. O que te vai abalar o dia é descobrires que o rapaz que estas a imaginar é simplesmente homossexual. Algo que, para ti, não pode ser porque não tenho tiques nem manias. Sou um rapaz. Banal. Como qualquer outro rapaz no planeta. Apenas com um twist.

 

(Um texto escrito em modo de exercício hoje no café. Já não escrevia algo há imenso tempo e quis desenferrujar as ideias, salvo seja)

publicado por Arms às 01:00
07 de Outubro de 2009

Doesn't all that bad luck make him depressed?

- Well, no!

- Why not?

- Because he's the gayest man in the world!

 

publicado por Arms às 16:36

 Parece que a chuva finalmente veio. Alguém disse-me, há dias, que já fazia falta. Já não me lembro quem. Eu disse que não, que o tempo estava óptimo. Mas hoje acordei completamente feliz pelo dia estar melancólico, triste, húmido, como se o mundo estivesse engripado ou algo assim... Saí de casa, à chuva, aproveitando o leve chuvisco do início da tarde, completamente deliciado pelo tempo.

 

Parece-me que tenho que dar o braço a torcer. Afinal sim, já fazia falta.

publicado por Arms às 00:05
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