05 de Junho de 2008

Tão desesperante... a lágrima que escorre pela cara, manchada de sonhos e pensamentos de esperanças que padecem cada vez mais num constante aumento de silêncio que engole palavras e rouba vidas. Enquanto a minha boca se encolhe, como se tentasse mostrar sofrimento, e o meu corpo deita-se, tentando abraçar-se a si mesmo, para sentir algum calor numa tentativa vã de afastar todo este silêncio solitário que corta e fere como vidro, choro silencioso. Aquela esperança de um dia ser alguém mais forte é constantemente derrubada pelos incansáveis golpes silenciosos da vida, causando hematomas internos que, pouco a pouco se vão mostrando na minha pele gasta. O silêncio da solidão sendo gravado na minha pele. Tatuagens da experiência.

O mundo em volta desvanece, tudo escapa, tudo se perde, porque os pavimentos de lágrimas vão marcando o corpo de alguém que uma vez sonhou e sentiu. Sou nada apenas, apenas nada. Não me lembro dos dias em que me sentia nervoso, com borboletas no estômago. Não me lembro dos dias em que sorria ao som de uma simples voz. O que resta agora é este enorme vazio por dentro e por fora. O vazio imensurável de quem tenta esquecer e morre por isso. Dias iguais aos dias anteriores, onde a dor e a solidão corrompem todo aquele silêncio sem falar. Por um segundo desta solidão consegui ver a imagem que me ilude há tanto tempo e que me dava forças para me levantar e respirar. Mas esse segundo já não é mais. A morte interior chegou.

E esta dor entra e sai, deixa um corpo suplicante pedido que a morte viva para a mente quase morta sofrer mais do que devia, mais do que pode, mais do que vive. Aí reside a famosa salvação que se torna numa eterna condenação de uma possível eternidade de dor e lágrimas que escorrem, umas a seguir à outras, por uma cara que não vê e não sente. A famosa salvação que todos aclamavam, com absoluta certeza, terminar em felicidade mas acabou limitado a uma mísera vida que se vive sem se viver, que morrerá sem que tenha sido vivido. Lágrimas enroladas em sonhos que mancham o lençol que acolhe aquele corpo débil e esquecido. Cicatrizes de esperança cobrem todo aquele corpo que olha sem expressão para o tecto, como se tentasse ver o céu revelando a eternidade do universo. Mas, em vez disso, apenas vislumbra a eternidade do seu sofrimento e da sua solidão, que já se encontram presentes numa noite sem lua, num dia sem luz.

Todo aquele desesperante momento de desespero de profunda tristeza em lágrimas embrulhadas em desistência. O fim de uma luta e o início de uma lenta e dolorosa morte. Uma morte que se segue a uma vida sem sentido. Uma morte que vem depois de uma encolhida súplica de oportunidade e felicidade. Súplica marcada pelos constantes gritos silenciosos de dor causados pelo sofrimento e lágrimas que marcam aquele corpo de nódoas negras, num negro pálido, num negro que não é possível ver, apenas sentir. Apenas para sofrer por morrer tão profundamente para reviver e sofrer de novo.

A morte de sentimentos que há muito tempo saltaram. A morte da esperança que há muito tempo voava. A morte de uma vida que merecia muito mais. Uma vida que apenas conheceu a solidão de uma eternidade inimaginável.

Um momento encolhido numa súplica silenciosa, que grita ecoando até aos confins da minha alma, que mancha mais uma lágrima vertida, que estilhaça nos lábios que nunca sentiram o verdadeiro calor do amor. Lábios que apenas sentem os dedos gélidos da sua própria morte interna.

No fim, olharão para ele e dirão que tudo foi uma história de um sofrimento solitário, de uma esperança perdida nas profundezas de uma mente perturbada por ter morrido antes do corpo, por ter-se esquecido das coisas que a fazem viver, fazendo-a morrer. Uma história de lágrimas que marcaram o seu corpo, enroladas numa esperança fugidia. Uma história de súplicas negadas e gritos silenciosos. A história de uma vida morta. Uma vida a que foi negado todo o tipo de companhia, amor e felicidade.

(Mais uma pitada de ficção, baseado em algo que senti.)
publicado por Arms às 23:09
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