14 de Junho de 2008

Ok, desisto.

São 4 da manhã e não consigo adormecer. Deixei-me apenas cair quando tive um ataque de pânico. Eu nunca tive ataques de pânico antes. Por isso, agora estou aqui, sentado na borda da cama, sem saber o que fazer. Acendo mais um cigarro na promessa de que será sempre o último. Nunca é. É assim que me sinto sempre. Sentado na borda de uma cama, sem conseguir dormir, sem saber o que fazer, a fumar um cigarro. Às vezes ainda olho para o teu lado da cama, à espera de ouvir os teus queixumes por causa do cigarro, mas nunca mais te vi lá. Às vezes imagino-te ainda ali, deitado, e consigo quase afogar-me no desespero. Às vezes quase que chego a sentir os arranhões da dor na minha pele. Como se eu próprio estivesse a arranhar os meus braços. Fumo o cigarro lentamente, absorvendo a minha mortalidade solitária. Permanecendo esquecido neste lugar que era nosso e que já não o é. O que me era casa agora é nada mais que uma cela. Onde vivo e durmo, esqueço e perduro. O silêncio é tão imenso, tão pesado, que tenho medo de falar por causa do eco. Mas apenas sinto que o silêncio faz ricochete nas paredes para apenas estilhaçar em mim, num silêncio que ecoa.

Saco de mais um cigarro. Lentamente. Como se estivesse debaixo de água. O sofá que trouxeste continua vago. Eras tu quem se sentava ali, a admirar-me, como se estivesses a descobrir todos os meus segredos. Como quem folheia um livro, num olhar atento e um sorriso na cara. Como se estivesses a olhar para a minha alma. Continuo a sentir o teu olhar desse sofá. Sento-me nela e olho em volta. Um quarto cheio de memórias e objectos e imagens e sentimentos. Tudo a ecoar silenciosamente pelo quarto. Tudo a estilhaçar eternamente, num silêncio tangível, dentro de mim. Aquela lágrima que escapa, escorre e estilhaça. Tudo neste silêncio que ecoa.

E penso nas frases mais tristes, como se isso fosse solução para as minhas noites. Mas penso nas frases melancólicas que sei que gostarias de ter ouvido, ou lido. Sempre apreciaste as minhas palavras solitárias. Sempre gostaste das minhas frases melancólicas. Sempre apreciaste o meu ar carregado de solidão, tristeza e melancolia. Nunca percebi porquê mas sempre gostei disso.

Pensar enlouquece. Mais uma manhã triste. E eu ainda acordado, levanto-me com muito custo. E remato o pensamento. De todas as palavras que te poderia ter dito, as mais tristes são: poderia ter sido diferente.

Eu não pude ir contigo.
publicado por Arms às 02:33
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o passado não muda por isso o melhor q tens a fazer é deal with it e faz melhor prá próxima. pareces escravo do teu passado irra!
e ainda admites "ar carregado de solidão, tristeza e melancolia". Não o mudes e conta com um futuro igual ao teu presente que vive num passado triste!
Anónimo a 18 de Junho de 2008 às 18:05
Mais uma vez, anónimo. E espero que leias a minha resposta. Este texto é ficção. Não é relativo a mim, à minha vida ou à minha personalidade. Tudo bem que todos os escritores escrevem com base partes das suas vidas mas isso não significa que sejam 'escravos do passado'.

Admito que muitos dos textos que escrevo possam ser confusos mas não são, de todo, a minha vida. ;)
Arms a 18 de Junho de 2008 às 21:54
Muito boa escrita!! Viva à melancolia e profundidade!!
Carmen Malheiro João a 19 de Junho de 2008 às 14:54
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