12 de Agosto de 2010

...e ter trinta anos. Ainda não mas, como falta pouco mais que um mês, consideremos a premissa.

 

Problema número 1 - Os preconceitos e os estereótipos.

 

"Ser solteiro aos trinta não é normal. Ou o gajo tem algum problema com compromissos ou tem algum problema a nível emocional ou sexual." É a primeira coisa que as pessoas pensam quando sabem a minha idade e descobrem que sou solteiro. Muita gente acha que, quem é solteiro aos trinta, tem algum problema qualquer. Well, por acaso é verdade. O problema reside no facto das pessoas acharem estas coisas sobre os solteirões. E em mais nada... Bem, pelo menos para mim.

 

Problema número 2 - Preconceito número dois!


"Os solteiros trintões são gays!"

Bom, isso foi antes do casamento gay ser aprovado. Agora simplesmente são solteiros. E mais não digo até porque, well... True, true!

 

Problema número 3 - As pessoas que insistem em achar que precisamos de incentivo.


Há gente que acha que ser solteiro é o mesmo que ter uma doença ou estar com uma depressão e que, tudo o que precisamos para melhorar, é uma espécie de incentivo. Ou então uma leitura d'O Segredo ou uma reza, um encorajamento, sei lá. Vêm com conversas como "um dia arranjas alguém" ou "sabes que há sempre alguém lá fora à tua espera" ou o típico "o que não falta são peixes no mar", como se isso fosse, de alguma forma mágica, fazer com que um solteiro se sinta menos solteiro por uns instantes. Eu compreendo que as intenções são boas e que a ideia é oferecer algum tipo de levantamento de moral e de ânimo, mas, sempre que me dizem este tipo de coisas, soa-me sempre a alguém a declamar algum tipo de sentença do género "dois anos de prisão em alta-segurança, sem visitas, saídas para ar fresco, com escassas probabilidades de reinserção social". E sei que todos os meus amigos querem que eu esteja bem quando me dizem isso mas, para mim, o problema está na diferença entre ouvir estas frases um vez e ouvir estas frases uma vez por cada amigo a cada mês que passa. Tenho momentos em baixo, como todos, em que preferia uma companhia. Tenho momentos altos em que ser solteiro é bestial. Simples. E depois há aqueles amigos prestáveis que dizem sempre "sabes, tenho um amigo que acho que irias gostar. faz mesmo o teu género." e aqueles amigos descarados que dizem sempre "vem comigo que arranjamos já um fulano para ti. Um que te rebente todo." E depois admiram-se de eu raramente os ligar...

 

Problema número 4 - As mães, tias, irmãs, primas, avós, madrinhas, sobrinhas e as suas perguntas.


Bem, eu deveria de reformular o título porque a minha mãe já aprendeu há muito tempo que perguntar-me coisas não adianta. Mas é mais pela ideia do que pelo facto.

 

Um dos grandes problemas de ser solteiro é a típica pergunta que todos os elementos femininos da família fazem em todos os eventos familiares a toda a hora se possível. E todos vocês sabem perfeitamente que pergunta é... "Então, e já tens namorada?" E, para além desta pergunta, existem todas as variantes: "Então, e para quando um casamento?"; "Então, já existe passarinho amarelo na costa?"; "Quando é que arranjas uma namorada?". E, sim, porque ainda há mais, ainda há os variados comentários animadores: "Olha, já está na altura de te casares.", "Devias de arranjar uma namorada. Olha que não caminhas para novo.", "O que te faz falta é uma mulher ao teu lado."

 

O que se faz? Reparem que todos os solteiros agem da mesma forma: desconversa. Seja por responder algo como "a seu tempo" ou simplesmente virar as costas, todos os solteiros evitam perder tempo com respostas longas e elaboradas.

 

Problema número 5 - As conversas de chacha nos bares.

 

Bom. Eu raramente saio e raramente meto os pés em bares. Muito menos bares gays. (E sim. Eu sei que reduz a probabilidade de encontrar alguém mas acredito que, se eu tiver que encontrar alguém com quem me identifique, não será em bares de certeza) Mas, quando vou, não há nada mais chato que as conversas de chacha dos outros. Não consigo achar interessante. Vêm com o "eu chamo-me tal e reparei em ti e tal, achei-te interessante" e depois rematam com o genial "posso conhecer-te?". Tudo bem, alinho durante uns segundos. Epá. Mas depois vêm com conversa da treta. Só apetece responder "espera aí um minuto que vou ali enforcar-me um bocado, ok?". Ninguém tem conversa. São todos aborrecidos. Sinceramente. Já não existem pessoas que tenham cultura? E não falo de moda, tecnologia, actualidades ou os "Morangos com Açúcar" ou o "Achas que Sabes Dançar?". Falo de cultura: filmes, pintura, teatro, música (de jeito), etc. E opiniões. Ui, até me torço todo. Ainda não conheci ninguém que tivesse uma opinião acerca de algum assunto importante. E, por importante, não falo de moda, tecnologia, Morangos, Brittany Spears ou Madonna (com todo o respeito pela senhora). Falo de assuntos menos superficiais. Coisas que demonstram mais profundidade.

 

Enfim, pequenas coisas que fui reparando.

publicado por Arms às 18:58
Este post é genial. Um de nós sente-se exactamente assim, e o outro para lá caminha. E o facto de termos namorado com raparigas até há menos de dois anos não ajuda. Até a mãe de um de nós insiste "Tens de arranjar uma namorada, filho". A resposta devia ser: "Já arranjei! Um namorado!"

E sim, ainda há pessoas com dois dedos de testa. São é poucas. E também não vão a bares gays. É um problema, sabes? Se fosses burro encontravas um gajo na hora. O teu (nosso) problema é seres inteligente. Quem diria, hein?
Dois Coelhos a 12 de Agosto de 2010 às 21:49
A isso eu chamo de "Ironia dos tempos que correm!" Dantes dava-se valor à inteligência... Era considerado "bom partido". Hoje em dia não parece ser esse o caso. Chamem-me de antiquado, mas prefiro dar valor a ideais que pouco consideram hoje em dia... Enfim.
Arms a 12 de Agosto de 2010 às 21:53
Gostei muito deste teu post, que foca não só a questão do "não casamento" e inerentes questões colaterais, como também, e principalmente, a futilidade dos encontros em bares gay. Muito bem, estou totalmente de acordo.
Pinguim a 13 de Agosto de 2010 às 00:16
Subscrevo este post inteligente e bem humorado! Sobretudo o primeiro tópico! Abraço.
Muito bom o post, eu tenho só 17 anos, mas nunca namorei, muitos parentes me aconselham a arranjar uma namorada, mas ainda não aconteceu, ja que também não saiu muito, as vezes vejo belas gurias passando, e me sinto mal por só poder olhalas, sem poder namoralas. Eu sou de Florianópolis, terra de descendentes açorianos aqui no Brasil, um abraço!
Gustavo a 24 de Janeiro de 2011 às 23:22
Concordo com o que dizes, tambem sou solteiro e as vezes as pessoas nao se enxergam
mas não concordo na parte que todos os solteiros trintões sejam gays
cumps ;-)
Jack a 13 de Março de 2011 às 19:42
Que texto! Que texto! Sou solteiro por opção e quero morrer assim. Quando familiares ou amigos me vêm com essas perguntas do tipo "Ain, quando você vai arrumar uma namorada?", eu viro na lata e falo: "NUNCA!!!!". E sinceramente, não vejo nada nessas perguntas além de desejo de se intrometer na vida alheia. Não enxergo nenhuma boa intenção nelas. Repito: parabéns pelo texto. Me representa demais.
Bruno Daniel Ferreira Silva a 11 de Novembro de 2017 às 10:03
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