23 de Setembro de 2007

Encolhido sobre si mesmo, alheio a tudo em seu redor, permanece em silêncio enquanto a sua alma lasca-se em pequenos pavimentos vítreos e se estilhaça sobre o granito onde o seu corpo descansa. Já esteve lá antes - prometeu nunca mais voltar. Mas nunca conseguiu cumprir com esta sua secreta promessa. Sempre que conseguia jurava que ia ser diferente, que ia ser melhor, que 'desta é que é'. Iludia-se. Iludiam-no. E era sempre ele que ficava ali, lascando a sua alma em soluços compulsivos de raiva, dor, pena de si mesmo e solidão. Era sempre ele que ia parar sobre aquele bloco de granito, encolhido sobre si mesmo, enquanto as suas lágrimas cicatrizavam a sua pele em pequenos pavimentos perfeitos. E, mais uma vez, prometeria a si mesmo nunca permitir que ninguém o mandasse de volta àquele bloco gelado de pedra.

Levantou-se do bloco de granito depois de estilhaçar a sua alma por completo. Limpou as lascas vítreas da sua face e despediu-se da pedra. Mas foi com a sensação da pedra lhe ter respondido: até ao nosso próximo encontro...
publicado por Arms às 21:39
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Tudo começou com a criação de um sentimento. Uma paixão, atracção, aquecimento interior, palpitações e acelerações. Emoções. Depois o amor, a confiança, a intimidade, a segurança. E finalmente a entrega do meu ser, o êxtase máximo de partilha, quando a minha alma toca, com a ponta dos dedos, a tua alma. E dentro deste amor depositei as minhas esperanças, desejos e sonhos. Mas, durante todo este tempo, fui enganado, porque não sabia das tuas verdadeiras intenções. No teu coração, na negritude da tua alma, forjaste em segredo uma traição e foste sempre me iludindo. E nesse acto colocaste toda a tua crueldade, toda a tua malícia e vontade de me dominar. Um acto para me destruir. Pedaço a pedaço, fui cedendo às tuas mentiras. Mas houve sempre uma parte de mim que nunca dominaste. Num último acto desesperado marchei contra ti e enfrentei e lutei pela minha integridade. Estava próximo do fim, mas o teu poder de persuasão era forte. E foi nesse momento, quando quase me conseguiste dobrar, que eu peguei na minha espada. E a nossa relação, que me corrompia por dentro, terminou. E eu tinha esta oportunidade para terminar o capítulo contigo, mas o meu coração é facilmente vencido. E a tua persuasão quase que tem vontade própria. E traiste-me de novo, estilhaçando com a minha alma. E não devia de ter esquecido do que aconteceu mas esqueci. Atracção tornou-se paixão. paixão tornou-se amor. E durante ano e meio toda aquela traição acabou por ser esquecida. Até que, quando a oportunidade surgiu, conseguiste uma nova forma de me destruires. Abandonaste-me para ires ter com aquela criatura, e desapareceste da minha vida de vez, mas sem antes me detonares a bomba atómica. E a explosão durou toda uma eternidade. E durante meses envenenou a minha vida, corrompendo todo e qualquer sentimento e relação que eu pudesse ter. Mas, no fim, o silêncio tomou conta da terra e o meu coração sentiu o inverno nuclear... o vazio gatinhou de volta para o meu coração. A voz de um sentimento receado. Sombras. Murmúrios de uma solidão desconhecida e depois apercebi-me... a solidão veio para me atormentar. E tu apercebeste-te. Tinhas abandonado a criatura e voltaste. Mas algo aconteceu entretanto que não esperavas. Eu tinha crescido e ultrapassado tudo e fiquei imune às tuas palavras persuasivas. Eu já não sentia nada por ti. E chegará cedo a altura em que este novo inverno nuclear passará e moldará o meu futuro...

E tu não estarás lá.

(mais um dos meus mini-textos, que irão fazer parte de algo no futuro)
publicado por Arms às 21:38
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Somos inocentes até provarem que somos culpados.
publicado por Arms às 21:34
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