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reflectmyself

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Esperando pela chuva

Arms, 13.09.09

Adorava que chuvesse.

 

Na chuva, toda a gente é uma alma perdida. Toda a gente tem um motivo para agir de forma profunda e existencial e poética, com o som das gotículas da chuva a embaterem contra o vidro, afogando o sentido de existência de cada um... e a escuridão do dia onde tudo perde o brilho e ganha uma capa de névoa como uma folha fina de algodão... ficando num estado latente de sono e sensação de se estar disperso.

 

Adorava que chuvesse. Mas é o meio do Verão. Está calor e húmido e sufocante e os cantos dos grilos invadem o ar, mas ninguém parece notar porque todos ficam à espera do amanhã. De um amanhã que nunca chega... nem dá sinais. As mesmas pessoas que se afogam na chuva, torrando ao sol.

E eu não estou com disposição. Quero uma desculpa, uma explicação que justifique o motivo pela qual o tempo se move tão depressa e eu continuo preso neste mesmo local, esperando por uma eventualidade, porque 'eventualmente' é a única promessa que tenho. A razão para manter as coisas desta forma, da forma com que sempre esteve. Da forma que nunca pedi ser.

 

Continuo com esperanças. Desejando que os números do relógio mudem, com um olhar perdido, sabendo que isto é a única coisa que posso fazer. Sabendo que estes pensamentos esparançosos nunca me levaram a lado nenhum excepto em sonhos, secretamente desejando que exista realmente algo mágico naquele esguicho que a água da fonte fez quando lhe atirei a moeda.


Todos poderão viver nos seus mundos. Eu continuo a viver no meu. Mas seria muito mais fácil fingir que tudo está bem se eu não estivesse à espera de chuva.

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